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Ataque de Bolsonaro à análise do golpe pelo STF gabarita manual de falácias

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1. Falácias de Apelo Emocional e Vitimização

Argumentum ad Misericordiam (Apelo à piedade): Trechos 3, 6, 12: Uso de linguagem dramática (“família tripudiada”, “cerceamento da defesa”, “afronta ao direito de defesa”) para comover o leitor, sem apresentar provas concretas de injustiça. Trecho 16: “Saí do país […] mesmo assim tentam me condenar” – tenta criar simpatia como vítima de perseguição.

Generalização Hiperbólica (Exagero emocional): Trechos 1, 2, 6, 8: Alegações como “maior perseguição da história”, “devassa vil e implacável”, “aberração jamais vista”, “jabuticaba judicial” são exageros sem comparação objetiva com outros casos históricos.

2. Falácias de Distração e Evasão

Falácia do Espantalho: Trechos 1, 7, 14: Pintar os acusadores como movidos por “vaidades”, “interesses políticos” ou “inimigos pessoais” (como os supostos “dois desafetos” no STF) distorce seus argumentos reais. Trecho 14: Mencionar o general Gonçalves Dias como “conivente” é um espantalho para desviar o foco das próprias acusações.

Falsa Dicotomia: Trecho 15: “Não houve golpe, o adversário tomou posse” ignora que o que são julgadas são tentativas de golpe, não os golpes em si porque, em caso de golpe, as instituições são impedidas de punir os golpistas.

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Red Herring: É um erro na lógica onde a proposição é mentirosa para fazer inferências irrelevantes ou falsas. Trecho 13: “Não estava em Brasília no 8/1” não refuta possíveis articulações prévias para um golpe e criação de álibi (o crime poderia ser indireto). Trecho 14: Trazer o caso do general Gonçalves Dias é irrelevante para a defesa própria.

3. Falácias Lógicas e de Prova

Argumentum ad Ignorantiam (Prova negativa): Trechos 2, 13, 15: “Nenhuma prova encontrada” é discurso que tenta deslegitimar as provas apresentadas sem apresentar nada que sustente isso. Além disso, mesmo a ausência de prova seria diferente de prova de ausência. Trecho 9: Questionar qual versão da delação é verdadeira não invalida a delação em si.

Petição de Princípio (Circularidade): Trecho 4: ” Sempre agi nas quatros linhas da Constituição” é a conclusão que deveria ser provada, não afirmada. Trecho 16: “Serei vitorioso em 2026” é uma presunção sem base.

Non Sequitur: Trecho 5: “Afastar-se do País para o bem de todos” não tem ligação lógica com inocência.

4. Falácias de Autoridade e Ataque Pessoal

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Ad Hominem: Trecho 7: Criticar os juízes por serem “desafetos” ou “advogado do adversário” ataca pessoas, não seus argumentos. Trecho 9: Chamar investigadores de “inquisidores” é um ataque moral.

Viés de Confirmação: Trecho 12: “A mídia mostrou a vergonha” pressupõe que a mídia é confiável só quando lhe convém uma vez que ele é pródigo em críticas à imprensa e em ataques a jornalistas.

5. Falácias de Inconsistência

Contradição Interna: Trecho 5: Diz repudiar a violência do 8/1, mas chama os manifestantes de “exercerem direito legítimo” (minimizando o evento). Trecho 15: “Não houve golpe” vs. Trecho 4: “Conversei sobre alternativas políticas” (que poderiam configurar tentativa de golpe).

Segue o texto divulgado pelo ex-presidente:

Jair Bolsonaro e seus julgamento (sic)

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1. Trata-se da maior perseguição político-judicial da história do Brasil, motivada por inconfessáveis desejos, por vaidades e por claros interesses políticos de impedir que eu participe e ganhe a eleição presidencial de 2026.

2. Jamais um ex-presidente da República do País teve sua vida pessoal, financeira e política devassada de maneira vil e implacável como acontece comigo – sem encontrar uma única prova de qualquer ato ilícito de minha parte. Na devassa pessoal, fiscal e financeira não encontraram um único vestígio, mínimo que fosse, de corrupção.

3. Minha família foi perseguida, investigada e tripudiada nos meios de comunicação, sem dó nem piedade. Hoje tenho um filho que é obrigado morar nos EUA tal o nível de perseguição que ele sofre. Somente a fé em Deus e o apoio da família e dos amigos é que mantiverem de pé.

4. Me acusam de um crime que jamais cometi – uma suposta tentativa de golpe de Estado. Conversei com auxiliares alternativas políticas para a Nação, mas nunca desejei ou levantei a possibilidade da ruptura democrática. As mudanças nos comandos das Forças Armadas foram feitas sem problemas. Sempre agi nas quatros linhas da Constituição. Sempre!

5. Me afastei do País após a eleição porque entendi que seria o melhor para todos, inclusive para o candidato adversário. Não estava aqui no 8 de janeiro de 2023 e, no mesmo dia à noite, postei uma mensagem repudiando os atos violentos cometidos por aqueles que exerceram o direito legitimo de protestar, sem violência, como foi o caso da maioria dos manifestantes.

6. Todo o processo Jurídico contra mim é uma aberração jamais vista! Investigações demoram seis anos, sem prazo de previsão de término. Pessoas são presas e coagidas a fazer delação premiada para salvar suas famílias. As defesas são cerceadas, as investigações correm em segredo de Justiça e realizadas prisões arbitrárias.

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7. A avaliação de uma denúncia contra um ex-presidente da República é feita por uma Turma do Supremo Tribunal Federal e não pelo plenário da Corte. Na banca de julgadores, dois conhecidos desafetos meus e um terceiro elemento que foi advogado do meu adversário eleitoral em 2022!

8. O relator do processo é, ao mesmo tempo, vítima, investigador e julgador de sua própria causa – outra aberração, uma verdadeira “jabuticaba judicial”, impensável e inimaginável em verdadeiras democracias e num pleno Estado Democrático de Direito.

9. As ditas “provas” de acusação se baseiam numa única delação premiada! Na verdade, em onze versões de uma única delação premiada, que foi modificada ao longo dos anos por pressão dos inquisidores e suas permanentes ameaças à integridade física, moral e familiar do delator.

10. Registro que desde a primeira versão da delação, os investigadores, o magistrado e a PGR a consideraram como “A VERDADEIRA”, “A INQUESTIONÁVEL” para a comprovação dos supostos “crimes cometidos”, status que mudava a cada novo depoimento corretivo. Qual seria, então, a verdadeira delação? A primeira? A última? Todas ou nenhuma delas?

11. Houve um total cerceamento da defesa! Soubemos das onze versões da delação premiada pelo seletivo vazamento da imprensa. As investigações ocorreram em segredo de Justiça e quando os documentos delas foram apresentados à defesa não houve acesso integral as mídias que as compunham.

12. O pequeno prazo para a defesa analisar mais de 1.200 páginas é uma afronta ao direito de defesa! A estratégia da acusação foi a de encaminhar um calhamaço de informações, com pouco prazo para análise das “provas”, que estão incompletas. A celeridade do processo, uma vergonha, como tem mostrado a mídia.

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E é a isso que chamam de Justiça?

13. Não estava em Brasília no dia 8 de janeiro de 2023, não foi encontrada nenhuma referência em meus celulares sobre a organização da manifestação e mesmo assim querem, injustamente, me vincular aos atos daquele dia, que teriam a intenção de “depor” um governo eleito.

14. Me acusam disso, mas não promoveram nenhuma investigação mais profunda sobre a postura do general Gonçalves Dias, ministro-chefe do GSI do novo governo, homem de confiança do presidente recém-empossado, filmado indicando a saída dos invasores do Palácio do Planalto, conivente com os “atos de vandalismo” no local.

15. Sou acusado ainda de promover uma tentativa de “golpe de Estado” sem qualquer prova. Durante os quatro anos do meu governo foram realizadas duas eleições com milhares de candidatos, mais de três dezenas de partidos de diversas matizes sem um único incidente grave! Todos os eleitos tomaram posse.

16. A democracia prevaleceu! Não houve golpe de Estado, o candidato adversário tomou posse, saí do País, não estava aqui no dia 8/1 e mesmo assim tentam me condenar. Sabem que se eu disputar a eleição presidencial de 2026 serei vitorioso e colocarei, novamente, o Brasil no rumo certo

Opinião

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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